Blog do Edir Veiga. Este Blog é um espaço de informação sintética sobre fatos políticos Nacional e estadual e sobre a vida da comunidade da UFPA. Quem quiser acompanhar ensaios, artigos, debates políticos e acadêmicos deve acessar: http//bilhetimdeanalises.blogspot.com
TIQUIN: almoço de sábado (06-03)
No primeiro sábado de março (6) o clube de amigos "Pra Fazer Melhor" estará almoçando no Tuquin a partir das 13.00 hs. Este é o espaço para se rever os amigos e jogar conversa fora. Este almoço deve ocorrer sempre no primeiro sábado de cada mês, após o pagamento.
Aliança para 2010: Guerra de versões
A coluna Repórter 70 afirma que foi selado o essencial do acordo entre PMDB e PT para 2010 na reunião de Brasília. O Líder do PMDB na ALEPA Parsifal Pontes em seu blog, desmente peremptoriamente esta versão. Creio que Parsifal deve ter mais informações do que qualquer um de nós sobre esta temática.
ICS: por uma comissão acadêmica de emergência
Sugiro ao reitor da UFPA que nomeie uma comissão de alto nível com a missão precípua de enfrentar os problemas acadêmicos dos cursos de medicina e de nutrição. E de preferência que esta comissão seja acompanhada pessoalmente pelo próprio reitor. Esta tarefa é urgente
Pergunta: quem unificaria 70% do IFCH?
Gostaria que a academia do IFCH, comandado pela atual diretora, lutasse para costurar 70% da academia do IFCH para além dos vínculos pessoais e corporativos. No IFCH não existe grandes divergências ideológicas e acadêmicas, mas sim corporativas, fundadas no status quo. Evitemos um confronto "sangrento" e partamos para uma ação propositiva, tendo por base os interesses maiores da instituição e da sociedade que a circunscreve. Fechado estes pressupostos, qual o docente que poderia unificar as diversas bandas do IFCH acadêmico?
ITEC: Civil fecha com Emília
Está definido: a Engenharia Civil fechou chapa com a professora Emília da Elétrica na disputa pelo ITEC. O vice indicado pela Civil é o prof. Alcebíades, coordenador da pós-graduação da Civil. A turma que apoiou Maneschy sairá unida na disputa pelo ITEC. Civil é o maior curso do ITEC.
UFPA recebe recursos para a pós-graduação
A Universidade Federal do Pará vai receber da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal - CAPES, em 2010, mais de 11 milhões de reais para bolsas e despesas de custeio e capital a serem investidos em cursos de mestrado e doutorado. Ao todo, 43 Programas de Pós-Graduação, atualmente ofertados pela Universidade, serão beneficiados.
De acordo com o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPA, Emmanuel Tourinho, esse valor representa um incremento de 38% sobre os valores concedidos pela CAPES à Instituição, em 2009 e permitirão que os Programas de Pós-Graduação mantenham o ritmo de crescimento, inclusive, com a possibilidade de expandir o número de vagas ofertadas.
Em setembro de 2009, a CAPES já havia feito um aporte adicional de recursos à UFPA. Tal concessão teve como finalidade garantir bolsas para todos os alunos matriculados, naquele momento, nos Programas de Pós-Graduação. O novo acréscimo permitirá a efetivação do Programa Bolsa para Todos, com um atendimento mais universal dos estudantes que necessitam de bolsa para realizar estudos de pós-graduação.
"A nova concessão, do Programa de Fomento à Pós-Graduação(PROF/CAPES),
soma-se a outros apoios concedidos pela CAPES (a exemplo dos Programas PROCAD e Pró-Equipamentos) e sinaliza o apoio da agência ao esforço institucional de expansão e qualificação da pós-graduação na UFPA”, ressalta Emmanuel Tourinho.
Texto: Jéssica Souza – Assessoria de Comunicação da UFPA
De acordo com o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPA, Emmanuel Tourinho, esse valor representa um incremento de 38% sobre os valores concedidos pela CAPES à Instituição, em 2009 e permitirão que os Programas de Pós-Graduação mantenham o ritmo de crescimento, inclusive, com a possibilidade de expandir o número de vagas ofertadas.
Em setembro de 2009, a CAPES já havia feito um aporte adicional de recursos à UFPA. Tal concessão teve como finalidade garantir bolsas para todos os alunos matriculados, naquele momento, nos Programas de Pós-Graduação. O novo acréscimo permitirá a efetivação do Programa Bolsa para Todos, com um atendimento mais universal dos estudantes que necessitam de bolsa para realizar estudos de pós-graduação.
"A nova concessão, do Programa de Fomento à Pós-Graduação(PROF/CAPES),
soma-se a outros apoios concedidos pela CAPES (a exemplo dos Programas PROCAD e Pró-Equipamentos) e sinaliza o apoio da agência ao esforço institucional de expansão e qualificação da pós-graduação na UFPA”, ressalta Emmanuel Tourinho.
Texto: Jéssica Souza – Assessoria de Comunicação da UFPA
Instituições se unem para uma educação básica de qualidade
O Fórum Permanente de Apoio à Formação Docente no Estado do Pará realizou hoje, 22, a sua quarta reunião ordinária para discutir as ações do Plano Nacional de Formação Docente (PARFOR). O encontro foi presidido pela Secretaria Estadual de Educação (SEDUC) e ocorreu na Universidade Federal do Pará. O Fórum é constituído pelos dirigentes das Instituições Públicas de Ensino Superior, parceiras na execução do plano, e pelos representantes da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal (Capes), do Conselho Estadual de Educação, da União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (Uncme), da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), do Sindicato dos Trabalhadores das Escolas Públicas e da Associação Nacional dos Formadores dos Profissionais da Educação.
O objetivo é estabelecer políticas para a formação inicial e continuada de professores que já atuam na educação básica, sem a devida graduação. A ação iniciou-se em dezembro de 2009, contemplando 995 profissionais da educação que se inscreveram e concorreram ao Processo de Seleção para vagas de graduação disponibilizadas na Universidade Federal do Pará (UFPA), na Universidade Estadual do Pará (UEPA), na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e no Instituto Federal do Pará (IFPA). Para o primeiro semestre de 2010, serão ofertadas 7.500 vagas em todo o Estado, sendo que, no segundo semestre, o Parfor, no Pará, contará também com a parceria da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).
A quinta reunião do Fórum Permanente de Apoio à Formação Docente teve como pontos de pauta a assinatura do seu documento de regimento interno, a apresentação da minuta do Termo de Compromisso dos municípios com o Plano de Formação e a criação de uma comissão para tratamento de questões ligadas à formação continuada. De acordo com o coordenador estadual do Parfor, representante da SEDUC , Licurgo Brito, atualmente, o Programa está em fase de composição de turmas para as vagas ofertadas no primeiro semestre de 2010 e a previsão para a divulgação do resultado dos candidatos contemplados é para o próximo dia 04 de março. “Será o maior ‘listão’ que o Estado do Pará já divulgou com relação ao ingresso em instituições de ensino superior”, observou.
Para o primeiro semestre de 2010, somente a UFPA teve 24 mil candidatos inscritos na disputa por 3.600 vagas ofertadas em 18 licenciaturas, distribuídas em 11 municípios, mas apenas 6.958 inscrições foram homologadas. O coordenador do Parfor na UFPA, professor Márcio Nascimento, explicou que a composição de turmas depende da demanda pelas vagas disponibilizadas em cada município. Os candidatos com inscrições homologadas em municípios que não formarem turmas terão opção de trocar de polo ou de instituição. Outros interessados que não forem contemplados no primeiro “listão” de 2010 poderão, ainda, se inscrever novamente para o Processo Seletivo referente ao segundo semestre de 2010, previsto para o mês de julho.
Formação continuada - Dentro do mesmo Programa de Financiamento do Parfor, atualmente, surge a discussão sobre a criação de turmas de formação continuada e de especialização para professores que já concluíram a graduação, atuam na educação básica e desejam buscar aperfeiçoamento. A reunião do Fórum foi decisiva nesse sentido, demandando todo o turno da tarde para a discussão dessa temática. Para o reitor da UFPA, professor Carlos Maneschy, o Parfor vem atender uma demanda que há muito vinha sendo reprimida. “Esperamos que esse seja apenas um primeiro passo para que o Programa possa se legitimar como um instrumento eficaz na construção de um ensino básico de qualidade e na criação de oportunidades iguais para todos os brasileiros”, observou.
Informações mais detalhadas sobre os processos do PARFOR na UFPA podem ser encontradas no site http://www.ufpa.br/parfor/.
Leia também: Fórum discute Plano Nacional de Formação Docente.
Texto: Jéssica Souza – Assessoria de Comunicaçãoda UFPA
O objetivo é estabelecer políticas para a formação inicial e continuada de professores que já atuam na educação básica, sem a devida graduação. A ação iniciou-se em dezembro de 2009, contemplando 995 profissionais da educação que se inscreveram e concorreram ao Processo de Seleção para vagas de graduação disponibilizadas na Universidade Federal do Pará (UFPA), na Universidade Estadual do Pará (UEPA), na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e no Instituto Federal do Pará (IFPA). Para o primeiro semestre de 2010, serão ofertadas 7.500 vagas em todo o Estado, sendo que, no segundo semestre, o Parfor, no Pará, contará também com a parceria da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).
A quinta reunião do Fórum Permanente de Apoio à Formação Docente teve como pontos de pauta a assinatura do seu documento de regimento interno, a apresentação da minuta do Termo de Compromisso dos municípios com o Plano de Formação e a criação de uma comissão para tratamento de questões ligadas à formação continuada. De acordo com o coordenador estadual do Parfor, representante da SEDUC , Licurgo Brito, atualmente, o Programa está em fase de composição de turmas para as vagas ofertadas no primeiro semestre de 2010 e a previsão para a divulgação do resultado dos candidatos contemplados é para o próximo dia 04 de março. “Será o maior ‘listão’ que o Estado do Pará já divulgou com relação ao ingresso em instituições de ensino superior”, observou.
Para o primeiro semestre de 2010, somente a UFPA teve 24 mil candidatos inscritos na disputa por 3.600 vagas ofertadas em 18 licenciaturas, distribuídas em 11 municípios, mas apenas 6.958 inscrições foram homologadas. O coordenador do Parfor na UFPA, professor Márcio Nascimento, explicou que a composição de turmas depende da demanda pelas vagas disponibilizadas em cada município. Os candidatos com inscrições homologadas em municípios que não formarem turmas terão opção de trocar de polo ou de instituição. Outros interessados que não forem contemplados no primeiro “listão” de 2010 poderão, ainda, se inscrever novamente para o Processo Seletivo referente ao segundo semestre de 2010, previsto para o mês de julho.
Formação continuada - Dentro do mesmo Programa de Financiamento do Parfor, atualmente, surge a discussão sobre a criação de turmas de formação continuada e de especialização para professores que já concluíram a graduação, atuam na educação básica e desejam buscar aperfeiçoamento. A reunião do Fórum foi decisiva nesse sentido, demandando todo o turno da tarde para a discussão dessa temática. Para o reitor da UFPA, professor Carlos Maneschy, o Parfor vem atender uma demanda que há muito vinha sendo reprimida. “Esperamos que esse seja apenas um primeiro passo para que o Programa possa se legitimar como um instrumento eficaz na construção de um ensino básico de qualidade e na criação de oportunidades iguais para todos os brasileiros”, observou.
Informações mais detalhadas sobre os processos do PARFOR na UFPA podem ser encontradas no site http://www.ufpa.br/parfor/.
Leia também: Fórum discute Plano Nacional de Formação Docente.
Texto: Jéssica Souza – Assessoria de Comunicaçãoda UFPA
E o PT quer Jáder e o PMDB
Paulo Rocha e João Batista lutam para ter Jáder e o PMDB na aliança governamental para 2010. Hoje, os jornais locais falam de uma coversa mediada pelo ministro Padilha na tentativa de conseguir algum sinal positivo de Jáder. Jáder não atende nem telefone, nem lê, nem telegramas dos interlocutores da DS, incluindo a governadora. Por que?
IFCH: quem costurará o consenso majoritário?
João Márcio deverá ser o candidato ungido pela atual direção do IFCH. Creio que poderíamos sentar, todos os cursos deste Instituto para ver se encontramos, com base em um programa, em um projeto de governança negociada e na distribuição dos espaços físicos, os pressupostos para montarmos uma chapa que congregasse, pelo menos 70% de apoio entre os docentes, técnicos e estudantes deste instituto. Para atingirmos esta meta, a professora Naná, Diretora do Instituto, teria de tomar todas as inciativas nesta direção, onde de saída abrisse mão de indicação, apriori, do nome do Diretor.
O gestor e a lua de mel com a comunidade
Dizem os analistas de que a lua de mel do governante com a comunidade dura em média seis meses. A partir daí serão os resultados objetivos que ditarão o comportamento avaliativo da opinião pública. Ana Júlia vem sendo mal avaliada e este é um sinal amarelo para quem detém cargo eletivo.
Arruda, a Câmara Legislativa e a intervenção federal
O grande debate que se trava em Brasília é se a intervenção federal deve ser decretada no DF. Os defensores da medida alegam que a Câmara legislativa não demonstrou autonomia para tomar medidas que a situação exigia, depois das imagens incontestáveis veiculadas para todo o globo terrestre. Os que são contra alegam que só em caso de notória convulsão social é que esta medida poderia ser decretada. O governo federal é contra porque esta medida causará paralisia decisória do congresso frente as medidas estruturantes para o País como a paralisia de tramitação das PEC's.
O que eu penso?
Que a intervenção deve ser decretada tendo em vista que o governador, o vice e 2/3 do legislativo estão comprometidos com o atual governo de forma irreversível. A Câmara protelou as medidas investigativas por 90 dias e só se mobilza agora porque existe a ameaça real de intervenção federal.O Brasil precisa mostrar tolerância zero com o crime do colarinho branco para o bem da DEMOCRACIA.
O que eu penso?
Que a intervenção deve ser decretada tendo em vista que o governador, o vice e 2/3 do legislativo estão comprometidos com o atual governo de forma irreversível. A Câmara protelou as medidas investigativas por 90 dias e só se mobilza agora porque existe a ameaça real de intervenção federal.O Brasil precisa mostrar tolerância zero com o crime do colarinho branco para o bem da DEMOCRACIA.
Rubens Camelot : o acadêmico
Rubens Camelot, a maior liderança emergente do ME na UFPA começa a priorizar a vida na pesquisa acadêmica. Camelot, após dar a maior canseira eleitoral no PSOL em recente disputa, está a caminho de participar de um projeto de pesquisa no curso de Letras.Segundo Camelot, agora a maior parte do tempo será dedicada à sala de aula e à pesquisa. Rubens pensa em se graduar rapidamente e seguir carreira acadêmica. De fato, não podemos ser mais realista do que o rei.
ICS pede socorro
Internautas informam que o ICS continua em estado de coma. A medicina está quase desencarnando. Até quando?
Newton Miranda, o generoso de espírito nos deixou
Os comunistas tem uma marca muito especial, são generosos de espírito, do sonho de uma sociedade igualitária extraem o combustível para a ação política por toda a vida. Assim era o camarada Newton Miranda, que acaba de nos deixar, vítima de um mal súbito. Pesar à família e ao PC do B.
TIQUIN: Leal de niver
Hoje (19) à noite, no Bar TIQUIN, os amigos de Ana Leal estarão cantando parabéns. Quem é amigo de Leal, por favor, não tente saber quantos anos ela completa, é falta de educação. Estarei por lá às 22.30.
UFPA: Tribo faz encontro in family no SINTUFPA
A Tendência Revolucionária Internacional Bolchevique (TRIBO) fará um encontro social neste sábado na sede do SINTUFPA. Rolará churrasquinho e cerveja. A TRIBO está passando o chapéu para financiar o evento. O componente mais novo do comitê central da tribo tem apenas 55 aninho, o mais velho é o Lima com pouco mais de 74.Estarei lá a partir das 12 hs. Quem chamar de anciões os "velhos" amigos da TRIBO será devidamente denunciado e enquadrado pelo estatuto do idoso.
UFPA ganha três novos doutorados na área da saúde
Três novos cursos de doutorado serão oferecidos, em Belém, a docentes da UFPA e a médicos dos Hospitais Universitários, por instituições com pós-graduação consolidada nas respectivas áreas: Ciências Médicas (pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Oncologia (pelo Instituto Nacional do Câncer) e Odontologia (pela Universidade de São Paulo). Os cursos integram a lista de propostas de Doutorados Interinstitucionais (Dinters) aprovados pela CAPES no Edital 05/2009, cujo resultado foi divulgado no último dia 12.
A modalidade de Doutorado Interinstitucional consiste na oferta de uma turma única de um curso de doutorado, ministrado fora da sede por Programa de Pós-Graduação com excelente avaliação na CAPES, para capacitar docentes de universidades que ainda não possuem o doutorado local. Para a implantação dos doutorados na UFPA, a Capes concederá 1,5 milhão de reais para o custeio das despesas. Os cursos integram um planejamento mais abrangente da UFPA, voltado à qualificação do ensino de Medicina na Instituição e à capacitação de seus docentes. Os cursos atendem, também, docentes de outras instituições da Região Norte, que se associaram à UFPA na apresentação das propostas à CAPES: UEPA (Oncologia),UNIFAP (Ciências Médicas e Oncologia), UFMA (Oncologia) e UFPI (Odontologia).
Os cursos aprovados terão início em março. No futuro, com os novos doutores que se formarão nessas turmas, a UFPA poderá planejar a oferta de mestrados e doutorados com corpo docente próprio e em caráter permanente. Docentes da Faculdade de Odontologia da UFPA podem candidatar-se ao Doutorado em Odontologia . Docentes médicos do Instituto de Ciências da Saúde e Médicos dos Hospitais Universitários da UFPA poderão realizar os Dinters em Ciências Médicas e em Oncologia .
Texto: Divulgação PROPESP
A modalidade de Doutorado Interinstitucional consiste na oferta de uma turma única de um curso de doutorado, ministrado fora da sede por Programa de Pós-Graduação com excelente avaliação na CAPES, para capacitar docentes de universidades que ainda não possuem o doutorado local. Para a implantação dos doutorados na UFPA, a Capes concederá 1,5 milhão de reais para o custeio das despesas. Os cursos integram um planejamento mais abrangente da UFPA, voltado à qualificação do ensino de Medicina na Instituição e à capacitação de seus docentes. Os cursos atendem, também, docentes de outras instituições da Região Norte, que se associaram à UFPA na apresentação das propostas à CAPES: UEPA (Oncologia),UNIFAP (Ciências Médicas e Oncologia), UFMA (Oncologia) e UFPI (Odontologia).
Os cursos aprovados terão início em março. No futuro, com os novos doutores que se formarão nessas turmas, a UFPA poderá planejar a oferta de mestrados e doutorados com corpo docente próprio e em caráter permanente. Docentes da Faculdade de Odontologia da UFPA podem candidatar-se ao Doutorado em Odontologia . Docentes médicos do Instituto de Ciências da Saúde e Médicos dos Hospitais Universitários da UFPA poderão realizar os Dinters em Ciências Médicas e em Oncologia .
Texto: Divulgação PROPESP
ITEC: Civil mostra força
A Faculdade de Engenharia Civil é o fiel da balança na sucessão do ITEC. Para onde Civil "cambar" decide as eleições. São 41 docentes fechados em único bloco que se reproduzem em votos nas salas de aulas e dentre o corpo técnico administrativo. Civil é maior faculdade do ITEC.
DILMA É PARA DOIS MANDATOS, DIZ LULA
Em entrevista ao Estado, o presidente afirma que não vai tentar voltar ao poder em 2014.
"Eu não iria escolher alguém para ser vaca de presépio", diz Lula sobre Dilma.
BRASÍLIA - Na véspera de participar do 4.° Congresso Nacional do PT, que amanhã sacramentará a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sua sucessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou que a herdeira do espólio petista, se eleita, deverá ficar dois mandatos no cargo. Em entrevista ao Estado, Lula negou que tenha escolhido Dilma com planos de voltar ao poder lá na frente, disputando as eleições de 2014.
leia a íntegra da entrevista
"Ninguém aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher uma pessoa para ser vaca de presépio", afirmou o presidente. "Todo político que tentou eleger alguém manipulado quebrou a cara." A dez meses da despedida no Palácio do Planalto, Lula disse que o ideal é deixar as "corredeiras da política" seguirem o seu caminho. "Quem foi eleito presidente tem o direito legítimo de ser candidato à reeleição", insistiu. "Eu tive a graça de Deus de governar este país oito anos."
Uma eventual gestão Dilma, no seu diagnóstico, não será mais à esquerda do que seu governo. Ele admite, no entanto, que, no governo, ela vai imprimir "o ritmo dela, o estilo dela". Na sua avaliação, porém, diretrizes do programa de governo de Dilma, que o PT aprovará nesta sexta-feira, 19, podem conter um tom mais teórico do que prático.
"Não há nenhum crime ou equívoco no fato de um partido ter um programa mais progressista do que o governo", argumentou. "O partido, muitas vezes, defende princípios e coisas que o governo não pode defender." Questionado se concorda com a ampliação do papel do Estado na economia, proposta na plataforma de Dilma, Lula abriu um sorriso. "Vou fazer uma brincadeira: o único Estado forte que eu quero é o Estadão", disse, numa referência ao jornal. Mais tarde, no entanto, destacou a importância de investimentos estratégicos por parte do Estado. "Quero criar uma megaempresa de energia no País."
O presidente manifestou preocupação com a divisão da base aliada em Estados como Minas, onde o PT e o PMDB até agora não conseguiram selar uma aliança. "Imaginar que Dilma possa subir em dois palanques é impossível", comentou. "O que vai acontecer é que em alguns Estados ela não vai poder ir."
Bem-humorado, Lula tomou uma xícara pequena de café e afirmou que Dilma não vai sentir sua falta como cabo eleitoral quando deixar o governo, em março. "Eu estarei espiritualmente com ela", brincou. Ele defendeu o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deu estocadas no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, falou da chuva em São Paulo, mas poupou o governador José Serra (PSDB), provável adversário de Dilma.
Nem mesmo a língua afiada do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), porém, fez Lula desistir de convencer o antigo aliado a não concorrer à Presidência. "É preciso provar que o santo Lula está errado", provocou.
Na entrevista ao Estado, em agosto de 2007, perguntamos se o sr. já pensava em lançar uma mulher como candidata à sua sucessão. Sua resposta foi: ‘No momento em que eu disser isso, uma flecha estará apontada para esse nome, seja ele qual for.’ Naquela época, o sr. já tinha decidido que seria a ministra Dilma? Quando o sr. decidiu?
Quando aconteceram todos os problemas que levaram o companheiro José Dirceu a sair do governo, eu não tinha dúvida de que a Dilma tinha o perfil para assumir a Casa Civil e ajudar a governar o País. Na Casa Civil ela se transformou na grande coordenadora das políticas do governo. Foi quase uma coisa natural a indicação da Dilma. A dedicação, a capacidade de trabalho e de aprender com facilidade as coisas foram me convencendo que estava nascendo ali mais do que uma simples tecnocrata. Estava nascendo ali uma pessoa com potencial político extraordinário, até porque a vida dela foi uma vida política importante.
Mas a escolha da ministra só ocorreu porque houve um "vazio" no PT, como disse o ex-ministro Tarso Genro, com os principais candidatos à sua cadeira dizimados pela crise do mensalão, não?
Não concordo. Não tinha essa coisa de ‘principais candidatos’. Isso é coisa que alguém inventou.
José Dirceu, Palocci...
Na minha cabeça não tinha "principais candidatos". Estou absolutamente convencido de que ela é hoje a pessoa mais preparada, tanto do ponto de vista de conhecimento do governo quanto da capacidade de gerenciamento do Brasil.
Naquele momento em que sr. chamou a ministra de "mãe do PAC", na Favela da Rocinha (Rio), ali não foi apresentada a vontade prévia para fazer de Dilma a candidata?
Se foi, foi sem querer. Eu iria lançar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), na verdade, antes da eleição (de 2006). Mas fui orientado a não utilizar o PAC em campanha porque a gente não precisaria dele para ganhar as eleições. Olha o otimismo que reinava no governo! E o PAC surgiu também pelo fato de que eu tinha muito medo do segundo mandato.
Por quê?
Quem me conhece há mais tempo sabe que eu nunca gostei de um segundo mandato. Eu sempre achei que o segundo mandato poderia ser um desastre. Então, eu ficava pensando: se no segundo mandato o presidente não tiver vontade, não tiver disposição, garra e ficar naquela mesmice que foi no primeiro mandato, vai ser uma coisa tão desagradável que é melhor que não tenha.
O sr. está enfrentando isso?
Não porque temos coisas para fazer ainda, de forma excepcional, e acho que o PAC foi a grande obra motivadora do segundo mandato.
O sr. não está desrespeitando a Lei Eleitoral, antecipando a campanha?
Não há nenhum desrespeito à Lei Eleitoral. Agora, o que as pessoas não podem é proibir que um presidente da República inaugure as obras que fez. Ora, qual é o papel da oposição? É criticar as coisas que nós não fizemos. Qual é o nosso papel? Mostrar coisas que nós fizemos e inaugurar.
Mas quem partilha dessa tese diz que o sr. praticamente pede votos para Dilma nas inaugurações...
Eu dizer que vou fazer meu sucessor é o mínimo que espero de mim. A grande obra de um governo é ele fazer seu sucessor. Não faz seu sucessor quem está pensando em voltar quatro anos depois. Aí prefere que ganhe o adversário, o que não é o meu caso.
Há quem diga que o sr. só escolheu a ministra Dilma, cristã nova no PT, com apenas nove anos de filiação ao partido, porque, se eleita, ela será fiel a seu criador. Isso deixaria a porta aberta para o sr. voltar em 2014. O sr. planeja concorrer novamente?
Olha, somente quem não conhece o comportamento das mulheres e somente quem não conhece a Dilma pode falar uma heresia dessas. Ninguém aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher uma pessoa para ser vaca de presépio. Não faz parte da minha vida nem no PT nem na CUT. Eu já tive a graça de Deus de governar este país oito anos. Minha tese é a seguinte: rei morto, rei posto. A Dilma tem de criar o estilo dela, a cara dela e fazer as coisas dela. E a mim cabe, como torcedor da arquibancada, ficar batendo palmas para os acertos dela. E torcendo para que dê certo e faça o melhor. Não existe essa hipótese .
O sr. não pensa mesmo em voltar à Presidência?
Não penso. Quem foi eleito presidente tem o direito legítimo de ser candidato à reeleição. Ponto pacífico. Essa é a prioridade número 1.
O sr. não vai defender a mudança dessa regra, de fim da reeleição com mandato de cinco anos?
Não vou porque quando quis defender ninguém quis. Eu fui defensor da ideia de cinco anos sem reeleição. Hoje, com a minha experiência de presidente, eu queria dizer uma coisa para vocês: ninguém, nenhum presidente da República, num mandato de quatro anos, concluirá uma única obra estruturante no País.
Então o sr. mudou de ideia...
Mudei de ideia. Veja quanto tempo os tucanos estão governando São Paulo e o Rio Tietê continua do mesmo jeito. É draga dali, tira terra, põe terra. Eu lembro do entusiasmo do Jornal da Tarde quando, em 1982, o banco japonês ofereceu US$ 500 milhões para resolver aquilo. A verdade é que, para desgraça do povo de São Paulo, as enchentes continuam. Eu não culpo o Serra, não culpo o Kassab e nenhum governante. Eu acho que a chuva é demais. No meu apartamento, em São Bernardo, está caindo mais água dentro do que fora. Choveu tanto que vazou. Há dias o meu filho me ligou, às duas horas da manhã, e disse: "Pai, estou com dois baldes de água cheios." Eu fui a São Paulo no dia do aniversário da cidade e disse que o governo federal está disposto a sentar com o governo do Estado, com o prefeito, e discutir uma saída para ver se consegue resolver o problema, que é gravíssimo. Não queremos ficar dizendo: "Ah, é meu adversário, deu enchente, que ótimo". Quem está falando isso para vocês viveu muitas enchentes dentro de casa.
‘Quero criar no País uma megaempresa de energia’
Pelas diretrizes do programa do PT, um eventual governo Dilma Rousseff parece que será mais à esquerda que o seu...
Eu ainda não vi o programa, eu sei que tem discussão. Mas conheço bem a Dilma e, como acho que ela deve imprimir o ritmo dela, se ela tomar uma decisão mais à esquerda do que eu, eu tenho que encarar com normalidade. E, se tomar uma posição mais à direita do que eu, tenho que encarar com normalidade. Tenho total confiança na Dilma, de que ela saberá fazer as coisas corretas para este país. Uma mulher que passou a vida que a Dilma passou - e é sem ranço, sem mágoa, sem preconceito - venceu o pior obstáculo.
A experiência de poder distanciou o sr. do pensamento mais utópico do PT, não?
Veja, o PT que chegou ao poder comigo, em 2002, não era mais o PT de 1980, de 1982.
Não era porque houve a Carta ao Povo Brasileiro...
Não é verdade. Num Congresso do PT aparecem 20 teses. Tem gosto para todo mundo. É que nem uma feira de produtos ideológicos. As pessoas compram o que querem e vendem o que querem. O PT, quando chegou à Presidência, tinha aprendido com dezenas de prefeituras, já tínhamos as experiências do governo do Acre, do Rio Grande do Sul, de Mato Grosso do Sul... O PT que chegou ao governo foi o PT maduro. De vez em quando, acho que foi obra de Deus não permitir que eu ganhasse em 1989. Se eu chego em 1989 com a cabeça do jeito que eu pensava, ou eu tinha feito uma revolução no País ou tinha caído no dia seguinte. Acho que Deus disse assim: "Olha, baixinho, você vai perder várias eleições, mas, quando chegar, vai chegar sabendo o que é tango, samba, bolero." O PCI italiano passou três décadas sendo o maior partido comunista do mundo ocidental, mas não passava de 30%. Eu não tinha vocação para isso. E onde eu fui encontrar (a solução)? Na Carta ao Povo Brasileiro e no Zé Alencar. Essa mistura de um sindicalista com um grande empresário e um documento que fosse factível e compreensível pela esquerda e pela direita, pelos ricos e pelos pobres, é que garantiu a minha chegada à Presidência.
Mesmo assim, o sr. teve de funcionar como fator moderador do seu governo em relação ao partido...
E vou continuar sendo. Eu não morri.
Mas a Dilma poderá fazer isso?
Ah, muito. Hipoteticamente, vocês acham que o PSTU ganhará eleição com o discurso dele? Vamos supor que ganhe, acham que governa? Não governa.
As diretrizes do PT, que pregam o fortalecimento do Estado na economia, não atrapalham?
Quero crer que a sabedoria do PT é tão grande que o partido não vai jogar fora a experiência acumulada de ter um governo aprovado por 72% na opinião pública depois de sete anos no poder. Isso é riqueza que nem o mais nervoso trotskista seria capaz de perder.
Os críticos do programa do PT dizem que o Estado precisa ter limites como empreendedor. Por que mais Estado na economia?
Vou fazer uma brincadeira: o único Estado forte que eu quero é o Estadão (risos). Não existe hipótese, na minha cabeça, de você ter um governo que vire um governo gerenciador. O governo tem dois papéis e a crise reforçou a descoberta deste papel. O governo tem, de um lado, de ser o regulador e o fiscalizador; do outro lado, tem de ser o indutor, o provocador do investimento, que discute com o empresário e pergunta por que ele não investe em tal setor.
Por que é preciso ressuscitar empresas estatais para fazer programas como a universalização da banda larga? O governo toca o Luz Para Todos com uma política pública que contrata serviços junto às distribuidoras e não ressuscita a Eletrobrás.
Mas nós estamos ressuscitando a Eletrobrás. O Luz Para Todos só deu certo porque o Estado assumiu. As empresas privadas executam sob a supervisão do governo, que é quem paga.
Não pode fazer a mesma coisa com a banda larga?
Pode. Não temos nenhum problema com a empresa privada que cumpre as metas. Mas tem empresa privada que faz menos do que deveria. Então, eu quero, sim, criar uma megaempresa de energia no País. Quero empresa que seja multinacional, que tenha capacidade de assumir empréstimos lá fora, de fazer obras lá fora e fazer aqui dentro. Se a gente não tiver uma empresa que tenha cacife de dizer "se vocês não forem, eu vou", a gente fica refém das manipulações das poucas empresas que querem disputar o mercado. Então, nós queremos uma Eletrobrás forte, para construir parceria com outras empresas. Não queremos ser donos de nada.
A banda larga precisa de uma Telebrás?
Se as empresas privadas que estão no mercado puderem oferecer banda larga de qualidade nos lugares mais longínquos, a preço acessível, por que não?
Mas precisa de uma Telebrás?
Depende. O governo só vai conseguir fazer uma proposta para a sociedade se tiver um instrumento. Não quero uma nova Telebrás com 3 ou 4 mil funcionários. Quero uma empresa enxuta, que possa propor projetos para o governo. Nosso programa está quase fechado, mais uns 15 dias e posso dizer que tenho um programa de banda larga. Vou chamar todos e quero saber quem vai colocar a última milha ao preço mais baixo. Quem fizer, ganha; quem não fizer, tá fora. Para isso o Estado tem de ter capacidade de barganhar.
O sr. teme que o PSDB venha na campanha com o discurso de gastança, de inchaço da máquina, que o seu governo contratou 100 mil novos servidores?
Vou dar um número, pode anotar aí: cargos comissionados no governo federal, para uma população de 191 milhões de habitantes. Por cada 100 mil habitantes, o governo tem 11 cargos comissionados. O governo de São Paulo tem 31 e a Prefeitura de São Paulo tem 45.
Deixar o governo de Minas para o PMDB de Hélio Costa facilita a vida de Dilma junto à base aliada?
A aliança com o PMDB de Minas independe da candidatura ao governo de Estado. O Hélio Costa tem me dito publicamente que a candidatura dele não é problema. Ele propõe o óbvio, que se faça no momento certo um estudo e veja quem tem mais condições e se apoie esse candidato. Acho que os companheiros de Minas, tanto o Patrus Ananias quanto o Fernando Pimentel se meteram em uma enrascada. Estava tudo indo muito bem até que eles transformaram a disputa entre eles em uma fissura muito ruim para o PT. Como a política é a arte do impossível, quem sabe até março eles conseguem resolver o problema deles.
A desistência da pré-candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) facilitaria a vida de Dilma?
O Ciro é um companheiro por quem tenho o mais profundo respeito. Eu já gostava do Ciro e aprendi a respeitá-lo. Um político com caráter. E, portanto, eu não farei nada que possa prejudicar o companheiro Ciro Gomes. Eu pretendo conversar com ele, ver se chegamos à conclusão sobre o melhor caminho.
Ele diz que o "santo Lula" está errado.
É preciso provar que o santo está errado. É por isso que eu quero discutir.
O sr. ainda quer que ele seja candidato ao governo de São Paulo?
Se eu disser agora, a minha conversa ficará prejudicada.
O senador Mercadante pode ser o plano B?
Não sei. Alguém terá de ser candidato.
O Ciro tem dito que a aliança da ministra Dilma com o PMDB é marcada pela frouxidão moral.
Todo mundo conhece o Ciro por essas coisas. Mas acho que ele não disse nada que impeça uma conversa com o presidente.
O que se teme no Temer? Ele é o nome para vice?
O Michel Temer, neste período todo que temos convivido com ele, que ele resolveu ficar na base e foi eleito presidente da Câmara, tem sido um companheiro inestimável. A questão da vice é uma questão a ser tratada entre o PT, a Dilma e o PMDB.
O sr. não teme que Dilma caia nas pesquisas após sair do governo?
Ela vai crescer.
Mas sozinha?
Ela nunca estará sozinha. Eu estarei espiritualmente ao lado dela (risos).
Há quem tenha ficado assustado com a foto do sr. abraçando o Collor, depois de tudo o que passou na campanha de 1989.
O exercício da democracia exige que você faça política em função da realidade que vive. O Collor foi eleito senador pelo voto livre e direto do povo de Alagoas, tanto quanto foi eleito qualquer outro parlamentar. Ele está exercendo uma função institucional e merece da minha parte o mesmo respeito que eu dou ao Pedro Simon, que de vez em quando faz oposição, ao Jarbas Vasconcelos, que faz oposição. Se o Lula for convidado para determinadas coisas, não irá. Mas o presidente tem função institucional. Portanto, cumpre essa função para o bem do País e, até agora, tem dado certo. Fui em uma reunião com a bancada do PT em que eles queriam cassar o Sarney. Eu disse: muito bem, vocês cassam o Sarney e quem vem para o lugar?
O sr. acha que o eleitor entende?
O eleitor entende, pode entender mais. Agora, quem governa é que sabe o tamanho do calo que está no seu pé quando quer aprovar uma coisa no Senado.
O governo depende do Sarney no Senado? O único punido até agora foi o Estado, que está sob censura.
O Sarney foi um homem de uma postura muito digna em todo esse episódio. Das acusações que vocês (o jornal) fizeram contra o Sarney, nenhuma se sustenta juridicamente e o tempo vai provar. O exercício da democracia não permite que a verdade seja absoluta para um lado e toda negativa para o outro lado. Perguntam: você é contra a censura? Eu nasci na política brigando contra a censura. Exerço um governo em que eu duvido que alguém tenha algum resquício de censura. Mas eu não posso censurar que os Poderes exerçam suas funções. Eu não posso censurar a imprensa por exercer a sua função de publicar as coisas, nem posso censurar um tribunal ou uma Justiça por dar uma decisão contrária. Deve ter instância superior, deve ter um órgão para recorrer.
O sr. e o PT lideraram o processo de impeachment de Collor e nada, então, se sustentou juridicamente porque o STF absolveu o ex-presidente. O sr. está dizendo que o jornal não deveria publicar as notícias porque não se sustentariam juridicamente? Os jornais publicam fatos...
Não quero que vocês deixem de publicar nada. Minha crítica é esta: uma coisa é publicar a informação, outra coisa é prejulgar. Muitas vezes as pessoas são prejulgadas. Todos os casos que eu vi do Sarney, de emprego para a neta, daquela coisa, eu ficava lendo e a gente percebia que eram coisas muito frágeis. Você vai tirar um presidente do Senado porque a neta dele ligou para ele pedindo um emprego?
O caso da neta é o corporativismo, o fisiologismo, os atos secretos...
O que eu acho é o seguinte: o DEM governou aquela Casa durante 14 anos e a maioria dos atos secretos era deles. E eles esconderam isso para pedir investigação do outro lado. É uma coisa inusitada na política.
O sr. acha que os fatos do "mensalão do DEM", no Distrito Federal, são fatos inverídicos também?
No DEM tem um agravante: tem gravação, chegaram a gravar gente cheirando dinheiro.
No mensalão do PT tinha uma lista na porta do banco com o registro dos políticos indo pegar a mesada...
Vamos pegar aquela denúncia contra o companheiro Silas Rondeau, que foi ministro das Minas e Energia. De onde se sustenta aquela reportagem dizendo que tinha dinheiro dentro daquele envelope? Como se pode condenar um cara por uma coisa que não era possível provar?
O sr. tem dito, em conversas reservadas, que quando terminar o governo, vai passar a limpo a história do mensalão. O que o sr. quer dizer?
Não é que vou passar a limpo, é que eu acho que tem coisa que tem de investigar. E eu quero investigar. Eu só não vou fazer isso enquanto eu for presidente da República. Mas, quando eu deixar a Presidência, eu quero saber de algumas coisas que eu não sei e que me pareceram muito estranhas ao longo do todo o processo.
Quem o traiu?
Quando eu deixar a Presidência, eu posso falar.
Por que é que o seu governo intercede em favor do governo do Irã?
Porque eu acho que essa coisa está mal resolvida. E o Irã não é o Iraque e todos nós sabemos que a guerra do Iraque foi uma mentira montada em cima de um país que não tinha as armas químicas que diziam que ele tinha. A gente se esqueceu que o cara que fiscalizava as armas químicas era um brasileiro, o embaixador Maurício Bustani, que foi decapitado a pedido do governo americano, para que não dissesse que não havia armas químicas no Iraque.
O sr. continua achando que a Venezuela é uma democracia?
Eu acho que a Venezuela é uma democracia.
E o seu governo aqui é o quê?
É uma hiper-democracia. O meu governo é a essência da democracia.
Fonte o Estadão: Vera Rosa, Tânia Monteiro, Rui Nogueira, João Bosco Rabello e Ricardo Gandour .
"Eu não iria escolher alguém para ser vaca de presépio", diz Lula sobre Dilma.
BRASÍLIA - Na véspera de participar do 4.° Congresso Nacional do PT, que amanhã sacramentará a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sua sucessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou que a herdeira do espólio petista, se eleita, deverá ficar dois mandatos no cargo. Em entrevista ao Estado, Lula negou que tenha escolhido Dilma com planos de voltar ao poder lá na frente, disputando as eleições de 2014.
leia a íntegra da entrevista
"Ninguém aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher uma pessoa para ser vaca de presépio", afirmou o presidente. "Todo político que tentou eleger alguém manipulado quebrou a cara." A dez meses da despedida no Palácio do Planalto, Lula disse que o ideal é deixar as "corredeiras da política" seguirem o seu caminho. "Quem foi eleito presidente tem o direito legítimo de ser candidato à reeleição", insistiu. "Eu tive a graça de Deus de governar este país oito anos."
Uma eventual gestão Dilma, no seu diagnóstico, não será mais à esquerda do que seu governo. Ele admite, no entanto, que, no governo, ela vai imprimir "o ritmo dela, o estilo dela". Na sua avaliação, porém, diretrizes do programa de governo de Dilma, que o PT aprovará nesta sexta-feira, 19, podem conter um tom mais teórico do que prático.
"Não há nenhum crime ou equívoco no fato de um partido ter um programa mais progressista do que o governo", argumentou. "O partido, muitas vezes, defende princípios e coisas que o governo não pode defender." Questionado se concorda com a ampliação do papel do Estado na economia, proposta na plataforma de Dilma, Lula abriu um sorriso. "Vou fazer uma brincadeira: o único Estado forte que eu quero é o Estadão", disse, numa referência ao jornal. Mais tarde, no entanto, destacou a importância de investimentos estratégicos por parte do Estado. "Quero criar uma megaempresa de energia no País."
O presidente manifestou preocupação com a divisão da base aliada em Estados como Minas, onde o PT e o PMDB até agora não conseguiram selar uma aliança. "Imaginar que Dilma possa subir em dois palanques é impossível", comentou. "O que vai acontecer é que em alguns Estados ela não vai poder ir."
Bem-humorado, Lula tomou uma xícara pequena de café e afirmou que Dilma não vai sentir sua falta como cabo eleitoral quando deixar o governo, em março. "Eu estarei espiritualmente com ela", brincou. Ele defendeu o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deu estocadas no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, falou da chuva em São Paulo, mas poupou o governador José Serra (PSDB), provável adversário de Dilma.
Nem mesmo a língua afiada do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), porém, fez Lula desistir de convencer o antigo aliado a não concorrer à Presidência. "É preciso provar que o santo Lula está errado", provocou.
Na entrevista ao Estado, em agosto de 2007, perguntamos se o sr. já pensava em lançar uma mulher como candidata à sua sucessão. Sua resposta foi: ‘No momento em que eu disser isso, uma flecha estará apontada para esse nome, seja ele qual for.’ Naquela época, o sr. já tinha decidido que seria a ministra Dilma? Quando o sr. decidiu?
Quando aconteceram todos os problemas que levaram o companheiro José Dirceu a sair do governo, eu não tinha dúvida de que a Dilma tinha o perfil para assumir a Casa Civil e ajudar a governar o País. Na Casa Civil ela se transformou na grande coordenadora das políticas do governo. Foi quase uma coisa natural a indicação da Dilma. A dedicação, a capacidade de trabalho e de aprender com facilidade as coisas foram me convencendo que estava nascendo ali mais do que uma simples tecnocrata. Estava nascendo ali uma pessoa com potencial político extraordinário, até porque a vida dela foi uma vida política importante.
Mas a escolha da ministra só ocorreu porque houve um "vazio" no PT, como disse o ex-ministro Tarso Genro, com os principais candidatos à sua cadeira dizimados pela crise do mensalão, não?
Não concordo. Não tinha essa coisa de ‘principais candidatos’. Isso é coisa que alguém inventou.
José Dirceu, Palocci...
Na minha cabeça não tinha "principais candidatos". Estou absolutamente convencido de que ela é hoje a pessoa mais preparada, tanto do ponto de vista de conhecimento do governo quanto da capacidade de gerenciamento do Brasil.
Naquele momento em que sr. chamou a ministra de "mãe do PAC", na Favela da Rocinha (Rio), ali não foi apresentada a vontade prévia para fazer de Dilma a candidata?
Se foi, foi sem querer. Eu iria lançar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), na verdade, antes da eleição (de 2006). Mas fui orientado a não utilizar o PAC em campanha porque a gente não precisaria dele para ganhar as eleições. Olha o otimismo que reinava no governo! E o PAC surgiu também pelo fato de que eu tinha muito medo do segundo mandato.
Por quê?
Quem me conhece há mais tempo sabe que eu nunca gostei de um segundo mandato. Eu sempre achei que o segundo mandato poderia ser um desastre. Então, eu ficava pensando: se no segundo mandato o presidente não tiver vontade, não tiver disposição, garra e ficar naquela mesmice que foi no primeiro mandato, vai ser uma coisa tão desagradável que é melhor que não tenha.
O sr. está enfrentando isso?
Não porque temos coisas para fazer ainda, de forma excepcional, e acho que o PAC foi a grande obra motivadora do segundo mandato.
O sr. não está desrespeitando a Lei Eleitoral, antecipando a campanha?
Não há nenhum desrespeito à Lei Eleitoral. Agora, o que as pessoas não podem é proibir que um presidente da República inaugure as obras que fez. Ora, qual é o papel da oposição? É criticar as coisas que nós não fizemos. Qual é o nosso papel? Mostrar coisas que nós fizemos e inaugurar.
Mas quem partilha dessa tese diz que o sr. praticamente pede votos para Dilma nas inaugurações...
Eu dizer que vou fazer meu sucessor é o mínimo que espero de mim. A grande obra de um governo é ele fazer seu sucessor. Não faz seu sucessor quem está pensando em voltar quatro anos depois. Aí prefere que ganhe o adversário, o que não é o meu caso.
Há quem diga que o sr. só escolheu a ministra Dilma, cristã nova no PT, com apenas nove anos de filiação ao partido, porque, se eleita, ela será fiel a seu criador. Isso deixaria a porta aberta para o sr. voltar em 2014. O sr. planeja concorrer novamente?
Olha, somente quem não conhece o comportamento das mulheres e somente quem não conhece a Dilma pode falar uma heresia dessas. Ninguém aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher uma pessoa para ser vaca de presépio. Não faz parte da minha vida nem no PT nem na CUT. Eu já tive a graça de Deus de governar este país oito anos. Minha tese é a seguinte: rei morto, rei posto. A Dilma tem de criar o estilo dela, a cara dela e fazer as coisas dela. E a mim cabe, como torcedor da arquibancada, ficar batendo palmas para os acertos dela. E torcendo para que dê certo e faça o melhor. Não existe essa hipótese .
O sr. não pensa mesmo em voltar à Presidência?
Não penso. Quem foi eleito presidente tem o direito legítimo de ser candidato à reeleição. Ponto pacífico. Essa é a prioridade número 1.
O sr. não vai defender a mudança dessa regra, de fim da reeleição com mandato de cinco anos?
Não vou porque quando quis defender ninguém quis. Eu fui defensor da ideia de cinco anos sem reeleição. Hoje, com a minha experiência de presidente, eu queria dizer uma coisa para vocês: ninguém, nenhum presidente da República, num mandato de quatro anos, concluirá uma única obra estruturante no País.
Então o sr. mudou de ideia...
Mudei de ideia. Veja quanto tempo os tucanos estão governando São Paulo e o Rio Tietê continua do mesmo jeito. É draga dali, tira terra, põe terra. Eu lembro do entusiasmo do Jornal da Tarde quando, em 1982, o banco japonês ofereceu US$ 500 milhões para resolver aquilo. A verdade é que, para desgraça do povo de São Paulo, as enchentes continuam. Eu não culpo o Serra, não culpo o Kassab e nenhum governante. Eu acho que a chuva é demais. No meu apartamento, em São Bernardo, está caindo mais água dentro do que fora. Choveu tanto que vazou. Há dias o meu filho me ligou, às duas horas da manhã, e disse: "Pai, estou com dois baldes de água cheios." Eu fui a São Paulo no dia do aniversário da cidade e disse que o governo federal está disposto a sentar com o governo do Estado, com o prefeito, e discutir uma saída para ver se consegue resolver o problema, que é gravíssimo. Não queremos ficar dizendo: "Ah, é meu adversário, deu enchente, que ótimo". Quem está falando isso para vocês viveu muitas enchentes dentro de casa.
‘Quero criar no País uma megaempresa de energia’
Pelas diretrizes do programa do PT, um eventual governo Dilma Rousseff parece que será mais à esquerda que o seu...
Eu ainda não vi o programa, eu sei que tem discussão. Mas conheço bem a Dilma e, como acho que ela deve imprimir o ritmo dela, se ela tomar uma decisão mais à esquerda do que eu, eu tenho que encarar com normalidade. E, se tomar uma posição mais à direita do que eu, tenho que encarar com normalidade. Tenho total confiança na Dilma, de que ela saberá fazer as coisas corretas para este país. Uma mulher que passou a vida que a Dilma passou - e é sem ranço, sem mágoa, sem preconceito - venceu o pior obstáculo.
A experiência de poder distanciou o sr. do pensamento mais utópico do PT, não?
Veja, o PT que chegou ao poder comigo, em 2002, não era mais o PT de 1980, de 1982.
Não era porque houve a Carta ao Povo Brasileiro...
Não é verdade. Num Congresso do PT aparecem 20 teses. Tem gosto para todo mundo. É que nem uma feira de produtos ideológicos. As pessoas compram o que querem e vendem o que querem. O PT, quando chegou à Presidência, tinha aprendido com dezenas de prefeituras, já tínhamos as experiências do governo do Acre, do Rio Grande do Sul, de Mato Grosso do Sul... O PT que chegou ao governo foi o PT maduro. De vez em quando, acho que foi obra de Deus não permitir que eu ganhasse em 1989. Se eu chego em 1989 com a cabeça do jeito que eu pensava, ou eu tinha feito uma revolução no País ou tinha caído no dia seguinte. Acho que Deus disse assim: "Olha, baixinho, você vai perder várias eleições, mas, quando chegar, vai chegar sabendo o que é tango, samba, bolero." O PCI italiano passou três décadas sendo o maior partido comunista do mundo ocidental, mas não passava de 30%. Eu não tinha vocação para isso. E onde eu fui encontrar (a solução)? Na Carta ao Povo Brasileiro e no Zé Alencar. Essa mistura de um sindicalista com um grande empresário e um documento que fosse factível e compreensível pela esquerda e pela direita, pelos ricos e pelos pobres, é que garantiu a minha chegada à Presidência.
Mesmo assim, o sr. teve de funcionar como fator moderador do seu governo em relação ao partido...
E vou continuar sendo. Eu não morri.
Mas a Dilma poderá fazer isso?
Ah, muito. Hipoteticamente, vocês acham que o PSTU ganhará eleição com o discurso dele? Vamos supor que ganhe, acham que governa? Não governa.
As diretrizes do PT, que pregam o fortalecimento do Estado na economia, não atrapalham?
Quero crer que a sabedoria do PT é tão grande que o partido não vai jogar fora a experiência acumulada de ter um governo aprovado por 72% na opinião pública depois de sete anos no poder. Isso é riqueza que nem o mais nervoso trotskista seria capaz de perder.
Os críticos do programa do PT dizem que o Estado precisa ter limites como empreendedor. Por que mais Estado na economia?
Vou fazer uma brincadeira: o único Estado forte que eu quero é o Estadão (risos). Não existe hipótese, na minha cabeça, de você ter um governo que vire um governo gerenciador. O governo tem dois papéis e a crise reforçou a descoberta deste papel. O governo tem, de um lado, de ser o regulador e o fiscalizador; do outro lado, tem de ser o indutor, o provocador do investimento, que discute com o empresário e pergunta por que ele não investe em tal setor.
Por que é preciso ressuscitar empresas estatais para fazer programas como a universalização da banda larga? O governo toca o Luz Para Todos com uma política pública que contrata serviços junto às distribuidoras e não ressuscita a Eletrobrás.
Mas nós estamos ressuscitando a Eletrobrás. O Luz Para Todos só deu certo porque o Estado assumiu. As empresas privadas executam sob a supervisão do governo, que é quem paga.
Não pode fazer a mesma coisa com a banda larga?
Pode. Não temos nenhum problema com a empresa privada que cumpre as metas. Mas tem empresa privada que faz menos do que deveria. Então, eu quero, sim, criar uma megaempresa de energia no País. Quero empresa que seja multinacional, que tenha capacidade de assumir empréstimos lá fora, de fazer obras lá fora e fazer aqui dentro. Se a gente não tiver uma empresa que tenha cacife de dizer "se vocês não forem, eu vou", a gente fica refém das manipulações das poucas empresas que querem disputar o mercado. Então, nós queremos uma Eletrobrás forte, para construir parceria com outras empresas. Não queremos ser donos de nada.
A banda larga precisa de uma Telebrás?
Se as empresas privadas que estão no mercado puderem oferecer banda larga de qualidade nos lugares mais longínquos, a preço acessível, por que não?
Mas precisa de uma Telebrás?
Depende. O governo só vai conseguir fazer uma proposta para a sociedade se tiver um instrumento. Não quero uma nova Telebrás com 3 ou 4 mil funcionários. Quero uma empresa enxuta, que possa propor projetos para o governo. Nosso programa está quase fechado, mais uns 15 dias e posso dizer que tenho um programa de banda larga. Vou chamar todos e quero saber quem vai colocar a última milha ao preço mais baixo. Quem fizer, ganha; quem não fizer, tá fora. Para isso o Estado tem de ter capacidade de barganhar.
O sr. teme que o PSDB venha na campanha com o discurso de gastança, de inchaço da máquina, que o seu governo contratou 100 mil novos servidores?
Vou dar um número, pode anotar aí: cargos comissionados no governo federal, para uma população de 191 milhões de habitantes. Por cada 100 mil habitantes, o governo tem 11 cargos comissionados. O governo de São Paulo tem 31 e a Prefeitura de São Paulo tem 45.
Deixar o governo de Minas para o PMDB de Hélio Costa facilita a vida de Dilma junto à base aliada?
A aliança com o PMDB de Minas independe da candidatura ao governo de Estado. O Hélio Costa tem me dito publicamente que a candidatura dele não é problema. Ele propõe o óbvio, que se faça no momento certo um estudo e veja quem tem mais condições e se apoie esse candidato. Acho que os companheiros de Minas, tanto o Patrus Ananias quanto o Fernando Pimentel se meteram em uma enrascada. Estava tudo indo muito bem até que eles transformaram a disputa entre eles em uma fissura muito ruim para o PT. Como a política é a arte do impossível, quem sabe até março eles conseguem resolver o problema deles.
A desistência da pré-candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) facilitaria a vida de Dilma?
O Ciro é um companheiro por quem tenho o mais profundo respeito. Eu já gostava do Ciro e aprendi a respeitá-lo. Um político com caráter. E, portanto, eu não farei nada que possa prejudicar o companheiro Ciro Gomes. Eu pretendo conversar com ele, ver se chegamos à conclusão sobre o melhor caminho.
Ele diz que o "santo Lula" está errado.
É preciso provar que o santo está errado. É por isso que eu quero discutir.
O sr. ainda quer que ele seja candidato ao governo de São Paulo?
Se eu disser agora, a minha conversa ficará prejudicada.
O senador Mercadante pode ser o plano B?
Não sei. Alguém terá de ser candidato.
O Ciro tem dito que a aliança da ministra Dilma com o PMDB é marcada pela frouxidão moral.
Todo mundo conhece o Ciro por essas coisas. Mas acho que ele não disse nada que impeça uma conversa com o presidente.
O que se teme no Temer? Ele é o nome para vice?
O Michel Temer, neste período todo que temos convivido com ele, que ele resolveu ficar na base e foi eleito presidente da Câmara, tem sido um companheiro inestimável. A questão da vice é uma questão a ser tratada entre o PT, a Dilma e o PMDB.
O sr. não teme que Dilma caia nas pesquisas após sair do governo?
Ela vai crescer.
Mas sozinha?
Ela nunca estará sozinha. Eu estarei espiritualmente ao lado dela (risos).
Há quem tenha ficado assustado com a foto do sr. abraçando o Collor, depois de tudo o que passou na campanha de 1989.
O exercício da democracia exige que você faça política em função da realidade que vive. O Collor foi eleito senador pelo voto livre e direto do povo de Alagoas, tanto quanto foi eleito qualquer outro parlamentar. Ele está exercendo uma função institucional e merece da minha parte o mesmo respeito que eu dou ao Pedro Simon, que de vez em quando faz oposição, ao Jarbas Vasconcelos, que faz oposição. Se o Lula for convidado para determinadas coisas, não irá. Mas o presidente tem função institucional. Portanto, cumpre essa função para o bem do País e, até agora, tem dado certo. Fui em uma reunião com a bancada do PT em que eles queriam cassar o Sarney. Eu disse: muito bem, vocês cassam o Sarney e quem vem para o lugar?
O sr. acha que o eleitor entende?
O eleitor entende, pode entender mais. Agora, quem governa é que sabe o tamanho do calo que está no seu pé quando quer aprovar uma coisa no Senado.
O governo depende do Sarney no Senado? O único punido até agora foi o Estado, que está sob censura.
O Sarney foi um homem de uma postura muito digna em todo esse episódio. Das acusações que vocês (o jornal) fizeram contra o Sarney, nenhuma se sustenta juridicamente e o tempo vai provar. O exercício da democracia não permite que a verdade seja absoluta para um lado e toda negativa para o outro lado. Perguntam: você é contra a censura? Eu nasci na política brigando contra a censura. Exerço um governo em que eu duvido que alguém tenha algum resquício de censura. Mas eu não posso censurar que os Poderes exerçam suas funções. Eu não posso censurar a imprensa por exercer a sua função de publicar as coisas, nem posso censurar um tribunal ou uma Justiça por dar uma decisão contrária. Deve ter instância superior, deve ter um órgão para recorrer.
O sr. e o PT lideraram o processo de impeachment de Collor e nada, então, se sustentou juridicamente porque o STF absolveu o ex-presidente. O sr. está dizendo que o jornal não deveria publicar as notícias porque não se sustentariam juridicamente? Os jornais publicam fatos...
Não quero que vocês deixem de publicar nada. Minha crítica é esta: uma coisa é publicar a informação, outra coisa é prejulgar. Muitas vezes as pessoas são prejulgadas. Todos os casos que eu vi do Sarney, de emprego para a neta, daquela coisa, eu ficava lendo e a gente percebia que eram coisas muito frágeis. Você vai tirar um presidente do Senado porque a neta dele ligou para ele pedindo um emprego?
O caso da neta é o corporativismo, o fisiologismo, os atos secretos...
O que eu acho é o seguinte: o DEM governou aquela Casa durante 14 anos e a maioria dos atos secretos era deles. E eles esconderam isso para pedir investigação do outro lado. É uma coisa inusitada na política.
O sr. acha que os fatos do "mensalão do DEM", no Distrito Federal, são fatos inverídicos também?
No DEM tem um agravante: tem gravação, chegaram a gravar gente cheirando dinheiro.
No mensalão do PT tinha uma lista na porta do banco com o registro dos políticos indo pegar a mesada...
Vamos pegar aquela denúncia contra o companheiro Silas Rondeau, que foi ministro das Minas e Energia. De onde se sustenta aquela reportagem dizendo que tinha dinheiro dentro daquele envelope? Como se pode condenar um cara por uma coisa que não era possível provar?
O sr. tem dito, em conversas reservadas, que quando terminar o governo, vai passar a limpo a história do mensalão. O que o sr. quer dizer?
Não é que vou passar a limpo, é que eu acho que tem coisa que tem de investigar. E eu quero investigar. Eu só não vou fazer isso enquanto eu for presidente da República. Mas, quando eu deixar a Presidência, eu quero saber de algumas coisas que eu não sei e que me pareceram muito estranhas ao longo do todo o processo.
Quem o traiu?
Quando eu deixar a Presidência, eu posso falar.
Por que é que o seu governo intercede em favor do governo do Irã?
Porque eu acho que essa coisa está mal resolvida. E o Irã não é o Iraque e todos nós sabemos que a guerra do Iraque foi uma mentira montada em cima de um país que não tinha as armas químicas que diziam que ele tinha. A gente se esqueceu que o cara que fiscalizava as armas químicas era um brasileiro, o embaixador Maurício Bustani, que foi decapitado a pedido do governo americano, para que não dissesse que não havia armas químicas no Iraque.
O sr. continua achando que a Venezuela é uma democracia?
Eu acho que a Venezuela é uma democracia.
E o seu governo aqui é o quê?
É uma hiper-democracia. O meu governo é a essência da democracia.
Fonte o Estadão: Vera Rosa, Tânia Monteiro, Rui Nogueira, João Bosco Rabello e Ricardo Gandour .
O Congresso do PT e a Mensagem
Nesta véspera de abertura do IV Congresso do PT, a única atividade foram as plenárias dos campos políticos internos, além do credenciamento.
A plenária da Mensagem foi de 15 às 21hs e debateu emendas aos documentos que serão aprovados no Congresso no sentido de puxar à esquerda as resoluções e para radicalizar as reformas no PED..
A grande marca do Congresso é a unidade no lançamento festivo da Candidatura de Dilma a presidente. No entanto, o debate é a grande vítima.
As lideranças da Mensagem apontam os avanços econômicos do governo Lula, mas criticam a timidez ideológica em pautar a sociedade com valores socialistas.
A plenária teve como destaque a sempre polêmica participação da economista Maria da Conceição Tavares, 80 anos, que questionou “E pra que serve a porra da Mensagem”, o que fez com que os organizadores tentassem explicar a necessidade de avançar a organização e estruturação da vida política do campo.
A propósito, a Mensagem ficou com 13 no diretório nacional, 3 na executiva(Cardozo, Árabe e Arlete Sampaio). Do Pará, o único nome é o da governadora Ana Júlia.
A plenária da Mensagem foi de 15 às 21hs e debateu emendas aos documentos que serão aprovados no Congresso no sentido de puxar à esquerda as resoluções e para radicalizar as reformas no PED..
A grande marca do Congresso é a unidade no lançamento festivo da Candidatura de Dilma a presidente. No entanto, o debate é a grande vítima.
As lideranças da Mensagem apontam os avanços econômicos do governo Lula, mas criticam a timidez ideológica em pautar a sociedade com valores socialistas.
A plenária teve como destaque a sempre polêmica participação da economista Maria da Conceição Tavares, 80 anos, que questionou “E pra que serve a porra da Mensagem”, o que fez com que os organizadores tentassem explicar a necessidade de avançar a organização e estruturação da vida política do campo.
A propósito, a Mensagem ficou com 13 no diretório nacional, 3 na executiva(Cardozo, Árabe e Arlete Sampaio). Do Pará, o único nome é o da governadora Ana Júlia.